Publicado em: 27/01/2026

Oferta controlada no campo, escalas mais curtas e exportações aquecidas fortalecem o poder de barganha do pecuarista e empurram a arroba do boi gordo para novos patamares em importantes praças do país.

O mercado do boi gordo iniciou a semana em clima firme e com negócios acima das referências médias, consolidando um cenário em que o pecuarista volta a ditar o ritmo das negociações. Em algumas regiões, a arroba já encosta em R$ 325, refletindo uma combinação de fatores que vai da oferta restrita de animais terminados ao bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.

O movimento representa, na prática, uma vitória do produtor na chamada “queda de braço” com os frigoríficos, especialmente aqueles mais dependentes do mercado spot. Segundo analistas, a estratégia de cadenciar a oferta, aliada às boas condições das pastagens, tem limitado a capacidade da indústria de pressionar preços para baixo.

Desde o início do ano, o mercado físico já vinha dando sinais de maior resistência por parte dos pecuaristas. Agora, esse comportamento se intensifica. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercado, as escalas de abate mais ajustadas e o ritmo consistente de embarques criam um ambiente propício para novas altas no curtíssimo prazo, mesmo diante de um consumo interno ainda fragilizado.

Na prática, frigoríficos de menor porte sentem mais dificuldade para originar boiadas, enquanto indústrias maiores ainda encontram certo conforto em suas programações, sustentadas por contratos a termo e parcerias com confinadores. Ainda assim, a pressão de compra tende a aumentar à medida que as escalas encurtam e a oferta disponível no mercado físico permanece limitada.

Os números reforçam esse cenário. As cotações médias mostram avanço em diversas praças, com São Paulo operando acima de R$ 323/@, Minas Gerais e Goiás superando a faixa dos R$ 308/@, e Mato Grosso do Sul acompanhando o movimento de firmeza. Em negociações pontuais, sobretudo para animais com melhor padrão e prontos para exportação, valores mais elevados já aparecem no radar do mercado, sustentando a percepção de que a arroba pode testar patamares ainda mais altos nos próximos dias.

No mercado atacadista de carne bovina, o cenário segue mais cauteloso. Os preços mostram acomodação, refletindo a preferência do consumidor por proteínas mais baratas, como frango, ovos e embutidos. Além disso, despesas típicas do início do ano — como impostos e material escolar — continuam limitando o consumo de carne bovina no mercado doméstico. Mesmo assim, a oferta restrita de animais terminados tem funcionado como um amortecedor, impedindo quedas mais acentuadas nos preços da arroba.

Já no front externo, o desempenho segue sendo um dos principais pilares de sustentação do mercado. As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram mais de US$ 1 bilhão em janeiro, considerando apenas os primeiros dias úteis do mês, com média diária robusta. Esse fluxo ajuda a equilibrar a demanda e dá fôlego adicional para a indústria pagar mais pela matéria-prima, especialmente pelos animais com padrão exigido pelos compradores internacionais.

Com esse conjunto de fatores, o sentimento predominante no mercado é de cauteloso otimismo. Enquanto o pecuarista mantiver disciplina na oferta e as exportações continuarem firmes, a tendência é de sustentação — e até novos avanços — nos preços do boi gordo, mantendo a arroba em níveis elevados e reforçando o protagonismo do produtor nas negociações neste início de ano.


FONTE: COMPRE RURAL








Boi gordo avança a R$ 325/@ com pecuaristas vencendo a “queda de braço” contra frigoríficos