Publicado em: 13/01/2021

O mercado, da cria ao boi gordo, esta trabalhando com preços em patamares elevados. Os pecuaristas seguem em alerta com o “desequilíbrio” que foi gerado no mercado por conta do ciclo pecuário. O cenário de “apagão” da oferta de animais deve continuar ao longo do ano. Mas afinal, o que esperar desse mercado e qual(is) alternativas o pecuarista tem?

Segundo o levantamento realizado, os preços da reposição tiveram uma alta de 64%, considerando um intervalo de doze meses. Além disso, a menor oferta de bezerros deve seguir forte ao longo desse ano, assim como em 2020. Diante disso, pecuaristas tem reclamado da falta de animais para recria/engorda.

O mercado atingiu, novamente, o patamar de R$ 300,00 em algumas negociações pontuais no dia de hoje, 12, trazendo uma nova onda de valorização pelo país. Esses movimentos de alta no boi gordo acabam puxando também os preços do bezerro, já que o pecuarista da terminação aumenta a procura pela reposição.

A verdade é que a relação de troca do boi gordo pelo bezerro, segundo o Cepea, se encontra em uma das piores dos últimos cinco anos. Segundo a Agrifatto, o mercado deve ver uma mudança no ciclo pecuário apenas em 2022, já que a retenção de fêmeas foi mais intensa no ano de 2020.

Diante da ótica do pecuarista da região do sul mato-grossense, o ano será de baixa oferta de animais, já que grande parte das fazendas de cria foi afetada pela seca e queimadas na região, trazendo assim uma grande lacuna na oferta de animais para terminação.

A arroba do boi gordo chegou a R$ 284,70, de acordo com Cepea, no acumulado de 2021, o preço já subiu 6,57%.

O sócio-diretor da Radar Investimentos, Leandro Bovo, afirma que o que está mantendo as cotações em alta é a falta de oferta. “No momento, não há animais de confinamento em grande volume disponível e não há animais de pasto”, diz.

Segundo os dados da Agrobrazil, os preços do boi gordo seguem em alta e esse movimento trouxe um maior apetite ao mercado da cria, fato que é confirmado pelo maior volume de negócios informados nos últimos dias.

Dica para o pecuarista da cria

Os preços atuais do bezerro, média de R$ 14,50/kg, segue sustentado pela maior demanda e menor oferta de animais. Diante disso, a retenção de fêmeas é uma alternativa para quem deseja reestabelecer o plantel e pensa no médio prazo.

Já para o longo prazo, as atenções devem estar voltadas para a virada do ciclo pecuário, da qual devemos ter maiores informações a partir do primeiro trimestre do ano, com dados de abate de fêmeas e situação econômica do país. Por tanto, atenção redobrada!

Dica para o pecuarista da terminação

O momento é de grande cautela, já que o mercado segue com viés de alta, porém existem inúmeros fatores que geram instabilidade na manutenção dessa alta. Quando colocado na balança os fatores que pressionam a alta e a baixa dos preços, temos uma certa igualdade com tendência de farol amarelo.

Acreditamos em uma sustentação dos atuais patamares de preço, entretanto, não há motivos para que o mercado interno absorva valores da arroba acima da referência praticada hoje, R$ 285,00. Sendo assim, os olhares devem estar atentos mais aos fatores de baixa.

Os insumos seguem elevados e possuem fatores que puxem os preços para baixo, falando em milho e soja, por isso é importante reavaliar as estratégias de compra desses insumos. Já na reposição, os preços do bezerro também seguirão elevados e com baixa oferta de animais.

Diante desses fatores, uma estratégia é a compra escalonada, garantindo animais para o giro da fazenda, evitando fazer estoques impando o capital.

De forma geral, a pecuária irá seguir por mais um ano histórico, pautado por máximas em seus setores e o pecuarista que deseja se manter na atividade de forma lucrativa precisa aprender as lições de cada turbulência que acontece no mercado.

BEZERRO TEM PREÇO RECORDE E FALTA BOI PARA COCHO, E AGORA?