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  • Sistema do Boi 7.7.7 gera lucro para pecuária, segundo produtores rurais

  • Data: 19/11/2018
  • Fonte: https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/boi/225126-sistema-do-boi-777-gera-lucro-para-pecuaria-segundo-produtores-rurais.html#.XAF8DWhKjIU
  • Sistema do Boi 7.7.7 gera lucro para pecuária, segundo produtores rurais
  • Para pecuaristas tecnologia é a forma de se ganhar dinheiro com a atividade. Passo a passo do sistema será apresentado durante InterCorte São Paulo

    "Utilizar o conceito do Boi 7.7.7 é a forma de se ganhar dinheiro hoje com a pecuária no Brasil". A frase é de Fernando Nemi Costa, engenheiro agrônomo e consultor da Cos@ Assessoria Pecuária. O Boi 7.7.7 é um conceito de produção desenvolvido pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que preconiza a produção de um gado de 21 arrobas em até dois anos, quando normalmente leva-se até três anos para produzir um gado de 18 arrobas. O método tem revolucionado a pecuária de corte do Brasil e conquistado pecuaristas de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Pará e Rondônia. Em 23 de novembro de 2018, o conceito de produção desenvolvido pela APTA será tema do painel "Caminhos do Boi 7.7.7", na InterCorte São Paulo.

    Segundo Costa, com a tecnologia é possível reduzir a idade de abate dos animais e aumentar o peso de carcaça. O sistema tem como meta que o animal alcance sete arrobas na desmama, sete na recria e outras sete na engorda, daí deriva o nome "Boi 7.7.7". "Dependendo da quantidade utilizada na suplementação eu também aumento a lotação da fazenda, inserindo mais animais por hectare. Além disso, quando o animal alcança as sete arrobas na recria, com a utilização de suplementação, ele se adapta muito rapidamente ao confinamento, o que também traz ganhos", explica o produtor que tem uma fazenda de gado de corte em Santa Vitória, em Minas Gerais, e presta consultoria a outros nove pecuaristas que também utilizam o sistema de produção.

    O conceito também é aprovado por Alaor Ávila Filho, pecuarista de Indiara, Goiás, e um dos primeiros usuários do sistema de produção desenvolvido pela APTA. Ávila conta que antes de utilizar o Boi 7.7.7, a lotação de animais em sua fazenda era de 1,5 por hectare (UA/ha). A partir de 2014, com a adoção do sistema, essa média subiu para 2,4 UA/ha, chegando a até 9 UA/ha. Ávila conseguia produzir, em média, 15 arrobas por hectare, por ano. Hoje, atinge até 31 arrobas, por hectare, por ano. "Com a suplementação de 2% do peso vivo do animal, a substituição do capim pela ração é alta e as lotações dos pastos vão aumentando com o ganho de peso dos animais. É possível produzir até 50 arrobas por hectare sem grandes modificações na fazenda. Esse sistema requer organização e estratégia. Se o produtor for bem organizado, é imbatível", afirma.

    Produtor precisa fazer conta

    A produção de bovinos com qualidade e em tempo 30% menor requer estratégia. "É necessário que sejam utilizadas diversas ferramentas para atingir esse resultado. O trabalho envolve, principalmente, manejo de pasto e suplementação alimentar", explica Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da APTA. A dosagem da suplementação varia: quanto maior o peso do animal, maior a dosagem. "Essa suplementação ajuda na engorda e não causa nenhum prejuízo para a saúde do animal. O pecuarista precisa se preparar para o sistema, fazendo todo o manejo de pasto necessário e, no período de seca, suplementar a alimentação com ração. O segredo do Boi 7.7.7 é: bom pasto na época das águas e suplementação na época das secas", afirma Flávio Dutra de Resende, pesquisador da APTA.

    Entre os usuários do sistema, a opinião é unânime: para conseguir atingir a meta do Boi 7.7.7, e ganhar dinheiro com a produção, é necessário fazer conta. Isso envolve uma análise sistêmica da produção, conhecendo todos os custos e sabendo, principalmente, por quanto à arroba será vendida para o frigorífico. "É necessário fazer a conta de traz para frente. Preciso saber quanto a arroba do meu animal vai valer no frigorífico para traçar todo o meu planejamento para saber quanto essa arroba vai me custar. Temos que trabalhar com margem", afirma Ávila.

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